Ideologia, ideal, idéia.
Neste texto, tentarei questionar até que ponto é saudável seguir ou ter uma ideologia mas é bem provável que no seu decorrer ele tome outro rumo, ele não possui uma conclusão, pois isso deve ficar por parte do leitor, deixo o texto em aberto, para conclusões e discussões.
Primeiramente, tratemos de diferenciar idéia de ideal e de ideologia. Segundo uma enciclopédia, idéia é um termo com diferentes acepções na história da filosofia, em geral referentes à representação mental de alguma ocorrência ou objeto concreto ou abstrato, ideal é o conjunto de valores intelectuais, morais, estéticos, políticos, considerado como um fim que se pretende atingir e ideologia é um sistema de idéias que dá fundamento a uma doutrina política ou social, adotada por um partido ou grupo. Vejamos agora meu ponto de vista. Eu entendo idéia como uma manifestação íntima do nosso Ser à respeito de algo (não obrigatoriamente um juízo de valor), sendo portanto, algo muito individual. A idéia é o ponto de partida para tudo. Ideal é algo que decorre da idéia, uma aspiração que pode ser individual ou coletiva, sendo neste último caso não decorrentes de uma mesma idéia e sim do que há de semelhante nas diferentes idéias dos integrantes dessa coletividade. Já ideologia é a síntese dos ideais de um grupo só que com a preponderância da idéia do seu criador, não havendo, portanto, neutralidade axiológica na sua criação. Isto significa que, embora seja dirigida a um grupo, a ideologia é algo muito individual e parcial que no fundo está fortemente ligada à personalidade do ideólogo e que, no fim das contas, não atinge o seu objetivo que é representar a maneira de pensar de um GRUPO.
Aí é que surge o primeiro “problema”: Já que as pessoas interpretam as situações de formas diversas e possuem idéias diferentes (por mais semelhantes que possam parecer) que decorrem de como reagem a cada situação, é sensato seguir ou se entregar a um pensamento que não é seu? É sensato aceitar completamente teses de outras pessoas sem antes haver um questionamento crítico a respeito dessas idéias? Você pode dizer que fez esse questionamento e que mesmo assim segue a ideologia. Será que realmente houve esse questionamento? Será que o pensamento de outra pessoa se encaixa completamente com o SEU pensamento? Você pode dizer que é necessário adaptar-se à ideologia para que o grupo atinja o fim almejado. Mas se você tem que se adaptar à ideologia é porque ELA não se encaixa completamente a você e então eu lhe pergunto: será que vale a pena rejeitar seus valores próprios e submeter-se aos valores de outrem para atingir tal fim? Será que o fim almejado pelo grupo é o mesmo fim almejado por você ? Será que esse é realmente o fim almejado pelo grupo ou será que é apenas o fim almejado pelo ideólogo? Aí você pode me dizer que se cada um for atrás dos seus objetivos particulares a coletividade será prejudicada. Nesse caso eu compreendo que se deve tentar atingir o fim, contanto que ele seja comum a todo o grupo, mas, no seu inner self, na falta de um correspondente em português, você não compreende a necessidade de tirar suas próprias conclusões a respeito desse objetivo? Cuidado para não confundir ideais com ideologia, ideal é do grupo, ideologia aparenta ser do grupo mas é pessoal.
Quando alguém decide seguir uma ideologia, ela abdica de sua capacidade de análise crítica, que é o que a torna um ser único, e caminha fatalmente rumo à alienação. É como já foi dito, por mais que você se encaixe em uma ideologia, você nunca se encaixa completamente (salvo se você for o ideólogo), pois ela foi feita pra você, mas não foi feita por você. E tem outro “problema”. A partir do momento que alguém escolhe uma ideologia como verdade incontestável para a sua vida e que deve ser seguida, seria melhor que essa pessoa pegasse um revólver e desse um tiro no meio da testa, pois o máximo que ela conseguirá ser é objeto de manipulação que aceita tudo o que a ideologia diz ou um fanático que poderá até causar grandes problemas quando for contrariado.
Agora você me pergunta: “Ah é, espertão, e o que você faz? Não segue o pensamento de ninguém? Só tem pensamentos próprios? Até parece, Einstein...”
Eu acho que as ideologias são saudáveis se forem considerados como fontes de idéias que poderão ser aprovadas, reprovadas ou modificadas e adaptadas de acordo com a individualidade de cada um e que se juntarão a outras idéias para formar o que eu chamo de “visão de mundo” mas que é comumente conhecido como idiossincrasia. Como se faz isso? Bem, eu considero três processos interdependentes que, se colocados sob um pano de fundo crítico, ajudam bastante a formar sua “visão de mundo”: o 1º é estar atento aos meios de informação, ler bastante, ver muita televisão, pois são grandes fontes de informação que, por mais inúteis que possam parecer, servem como base para os questionamentos, o 2º é estar aberto a discussões, conversar, observar os fatos de ângulos diferentes, analisar os pontos de vista que divergem dos seus, por isso que é bom conversar com pessoas de opiniões completamente diferentes das suas, e o 3º e mais importante é pensar, sentar-se em um lugar sozinho e pensar, pensar, pensar, imaginar situações, questionar, buscar respostas, não encontrá-las, organizar suas idéias etc.
Como se pode ver, esse método não tem fim, o que significa que sua “visão de mundo” estará em constante mudança, não sendo a mesma por muito tempo, e suas idéias não ficarão estagnadas.
Eu comparo esse método de formação de idéias com aquelas antigas cartas de seqüestrador: você recorta letras de diferentes formas, tamanhos e cores vindas de diferentes fontes, as organiza de acordo com a sua intenção e forma a sua mensagem. Vale salientar que neste caso o importante não é que a mensagem faça sentido, mas que a carta nunca fique pronta.
Ítalo Marinho Chaves Cunha
Neste texto, tentarei questionar até que ponto é saudável seguir ou ter uma ideologia mas é bem provável que no seu decorrer ele tome outro rumo, ele não possui uma conclusão, pois isso deve ficar por parte do leitor, deixo o texto em aberto, para conclusões e discussões.
Primeiramente, tratemos de diferenciar idéia de ideal e de ideologia. Segundo uma enciclopédia, idéia é um termo com diferentes acepções na história da filosofia, em geral referentes à representação mental de alguma ocorrência ou objeto concreto ou abstrato, ideal é o conjunto de valores intelectuais, morais, estéticos, políticos, considerado como um fim que se pretende atingir e ideologia é um sistema de idéias que dá fundamento a uma doutrina política ou social, adotada por um partido ou grupo. Vejamos agora meu ponto de vista. Eu entendo idéia como uma manifestação íntima do nosso Ser à respeito de algo (não obrigatoriamente um juízo de valor), sendo portanto, algo muito individual. A idéia é o ponto de partida para tudo. Ideal é algo que decorre da idéia, uma aspiração que pode ser individual ou coletiva, sendo neste último caso não decorrentes de uma mesma idéia e sim do que há de semelhante nas diferentes idéias dos integrantes dessa coletividade. Já ideologia é a síntese dos ideais de um grupo só que com a preponderância da idéia do seu criador, não havendo, portanto, neutralidade axiológica na sua criação. Isto significa que, embora seja dirigida a um grupo, a ideologia é algo muito individual e parcial que no fundo está fortemente ligada à personalidade do ideólogo e que, no fim das contas, não atinge o seu objetivo que é representar a maneira de pensar de um GRUPO.
Aí é que surge o primeiro “problema”: Já que as pessoas interpretam as situações de formas diversas e possuem idéias diferentes (por mais semelhantes que possam parecer) que decorrem de como reagem a cada situação, é sensato seguir ou se entregar a um pensamento que não é seu? É sensato aceitar completamente teses de outras pessoas sem antes haver um questionamento crítico a respeito dessas idéias? Você pode dizer que fez esse questionamento e que mesmo assim segue a ideologia. Será que realmente houve esse questionamento? Será que o pensamento de outra pessoa se encaixa completamente com o SEU pensamento? Você pode dizer que é necessário adaptar-se à ideologia para que o grupo atinja o fim almejado. Mas se você tem que se adaptar à ideologia é porque ELA não se encaixa completamente a você e então eu lhe pergunto: será que vale a pena rejeitar seus valores próprios e submeter-se aos valores de outrem para atingir tal fim? Será que o fim almejado pelo grupo é o mesmo fim almejado por você ? Será que esse é realmente o fim almejado pelo grupo ou será que é apenas o fim almejado pelo ideólogo? Aí você pode me dizer que se cada um for atrás dos seus objetivos particulares a coletividade será prejudicada. Nesse caso eu compreendo que se deve tentar atingir o fim, contanto que ele seja comum a todo o grupo, mas, no seu inner self, na falta de um correspondente em português, você não compreende a necessidade de tirar suas próprias conclusões a respeito desse objetivo? Cuidado para não confundir ideais com ideologia, ideal é do grupo, ideologia aparenta ser do grupo mas é pessoal.
Quando alguém decide seguir uma ideologia, ela abdica de sua capacidade de análise crítica, que é o que a torna um ser único, e caminha fatalmente rumo à alienação. É como já foi dito, por mais que você se encaixe em uma ideologia, você nunca se encaixa completamente (salvo se você for o ideólogo), pois ela foi feita pra você, mas não foi feita por você. E tem outro “problema”. A partir do momento que alguém escolhe uma ideologia como verdade incontestável para a sua vida e que deve ser seguida, seria melhor que essa pessoa pegasse um revólver e desse um tiro no meio da testa, pois o máximo que ela conseguirá ser é objeto de manipulação que aceita tudo o que a ideologia diz ou um fanático que poderá até causar grandes problemas quando for contrariado.
Agora você me pergunta: “Ah é, espertão, e o que você faz? Não segue o pensamento de ninguém? Só tem pensamentos próprios? Até parece, Einstein...”
Eu acho que as ideologias são saudáveis se forem considerados como fontes de idéias que poderão ser aprovadas, reprovadas ou modificadas e adaptadas de acordo com a individualidade de cada um e que se juntarão a outras idéias para formar o que eu chamo de “visão de mundo” mas que é comumente conhecido como idiossincrasia. Como se faz isso? Bem, eu considero três processos interdependentes que, se colocados sob um pano de fundo crítico, ajudam bastante a formar sua “visão de mundo”: o 1º é estar atento aos meios de informação, ler bastante, ver muita televisão, pois são grandes fontes de informação que, por mais inúteis que possam parecer, servem como base para os questionamentos, o 2º é estar aberto a discussões, conversar, observar os fatos de ângulos diferentes, analisar os pontos de vista que divergem dos seus, por isso que é bom conversar com pessoas de opiniões completamente diferentes das suas, e o 3º e mais importante é pensar, sentar-se em um lugar sozinho e pensar, pensar, pensar, imaginar situações, questionar, buscar respostas, não encontrá-las, organizar suas idéias etc.
Como se pode ver, esse método não tem fim, o que significa que sua “visão de mundo” estará em constante mudança, não sendo a mesma por muito tempo, e suas idéias não ficarão estagnadas.
Eu comparo esse método de formação de idéias com aquelas antigas cartas de seqüestrador: você recorta letras de diferentes formas, tamanhos e cores vindas de diferentes fontes, as organiza de acordo com a sua intenção e forma a sua mensagem. Vale salientar que neste caso o importante não é que a mensagem faça sentido, mas que a carta nunca fique pronta.
Ítalo Marinho Chaves Cunha

1 Comments:
doido!!! como vc escreve...desculpa ai mas eu fikei com pri de ler!!
bjus =**
Post a Comment
<< Home