Sunday, February 05, 2006


Assim Falou Frederico


Assim falou Frederico
Como sempre ao Meio-Dia
“Aqui está tua máscara,
aquela que tu tanto querias.”

Máscara? Nunca quis uma
E nem pense que esta será usada
Não sei do que tu falas
Não lembro de ter pedido nada.

“Agora é tarde, meu caro,
toma este espelho e vê teu rosto.
Já a usas e nem sabes disto
Teu presente te foi imposto.”

Quê? Então isto sou eu?
Nossa! Como estou distorcido
Mas por que estou assim?
Como isso pode ter acontecido?

“É assim que todos te vêem,
e de certa forma tu és o culpado.
Tu nunca ouves o que te digo,
Cansei de ter te avisado.”

Sério? Então falavas comigo?
Não, tenho certeza que não.
Conheço bem esse rio
Sei o quão rasas suas águas são.

“Rasas porém turvas e violentas,
e é isso que desperta o medo.
As pessoas fogem das tormentas
E temem a escuridão dos seus segredos.”

“Talvez tu mesmo estejas enganado
não és raso, só te acostumaste com tua profundidade
então faça valer este maldito presente
Vamos! Cave! Cave! Cave!”

Mas por que cavar este abismo
Se quanto mais cavo mais cresce a máscara?
E depois, como sairei do seu fundo?
Abismo não une, só separa.

“Ora, homem, não reclame!
Assim tua vida será protegida
Não importa o tamanho do abismo
Pontes sempre serão construídas.”

“Tua máscara afugenta os fracos
e te aproxima dos mais corajosos
isso te renderá bons amigos
e também inimigos perigosos.”

“Sinceramente não esperava muito deles
ou achas que podem fazer melhor que isso?
São apenas vermes dignos de pena
Que se alimentam de seu próprio lixo.”

“Saiba, pois, que serás eternamente caçado
aprenda logo a esconder-te em tua carapaça,
tua imolação os fará sentirem-se superiores
tua benção será tua maior desgraça.”

“Contudo está ficando tarde
aconselho que vá embora
é melhor que vista o teu casaco
vai fazer muito frio lá fora.”

E assim acabou a conversa
Mas não era mais Meio-Dia
Assim falou Frederico
Numa tarde escura e fria.

Ítalo Marinho Chaves Cunha

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