
Carta de Capitulação
Todo bom soldado sabe a hora exata de entregar as armas.
Essa é uma das únicas coisas de valor que aprendi nessa batalha ingrata.
Prezado inimigo,
Confronto sangrento foi o nosso, não?
Quantas vidas perdidas
A minha
A tua
Destruídas...
Confronto sangrento
Sofrido
Suado
Chorado
Vejo, porém, que é hora de partir
Nada mais me resta nesta terra que um dia tanto amei,
A não ser uma dor imensa que nunca mais quero sentir
E a imagem de uma bela paisagem que não conquistei.
Não se trata de covardia, mas de sensatez
Continuar lutando só faria com que eu sofresse mais
Deixe-me, porém, olhar este céu pela última vez
E sentir esse ar tão puro que deixarei para trás.
Junto a esta carta irão minhas armas, meu uniforme, minha camuflagem
Não precisarei mais disso, pelo menos não por enquanto
Sei o quão árdua será minha nova viagem
Irei para bem longe, onde ninguém possa ouvir meu pranto.
Guardo comigo tudo que vi, senti, escrevi
Que, como o ferro em brasa que marca um animal
Fere minha alma de maneira tão vil
Não posso livrar-me disso que me faz tanto mal
E assim me despeço, sem medalhas no peito, sem nenhuma glória
As vidas de mil covardes não valem a morte de um herói
Por não dar meu sangue, não entrarei para a tua história
De todas as verdades, esta é a que mais me dói.
Adeus.
Todo bom soldado sabe a hora exata de entregar as armas
Mas hoje em dia, quem são os bons soldados?
Os que matam...?
Os que morrem...?
Os que fogem...?
Ítalo Marinho Chaves Cunha

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